1 de abril de 2011

Quando um "mendigo" está na moda

Devido aos pedidos dos leitores, em especial leitoras, resolvi escrever algo sobre  moda. Depois de muito pensar em como encaixar esse tema em um blog que tem como principal assunto a inclusão social, eis que surge a postagem. Vamos fazer uma análise de um estilo chamado "Homeless Chic".
A Revista Vogue Itália em 2009 estampou mal trapinhos na capa
Traduzindo livremente, homeless significa morador de rua ou mendigo. Essa moda surgiu em 1980, a "década perdida" e das crises econômicas, tem como principal tendência o uso de roupas largadas, rasgadas, com aspecto de usadas e sujas, ou seja, essa moda se propõe a montar um "look mendigo".
Em 2010, esse estilo alternativo marcou presença no mundo fashion. Grifes famosas apostaram nesse estilo não muito convencional, estampando capas de revistas com modelos trajando roupas mal trapilhas.
Outro fato curioso é que essa moda acaba se inspirando e tomando como ícones personagens reais, como um morador de rua da China, que acabou ficando famoso ao ser fotografado usando roupas velhas e excêntricas pelas ruas.
Brother Sharp, mendigo chinês que ficou famoso pelo seu estilo
Com isso, podemos ver mais uma inversão de valores do capitalismo, como diz o clichê, do lixo ao luxo. Aqui o capitalismo cria oportunidade até mesmo em situações onde devemos questionar os princípios de justiça social.
O que devemos refletir é se esse mundo fashion está banalizando a pobreza e utilizando o pretexto da moda para esconder as diferenças sociais gerando um conformismo, ou promover a moda como instrumento de inclusão.
O fato é que nenhum mendigo se veste como um mendigo por opção ou por querer estar na moda. Essas pessoas foram excluídas e são frutos de um sistema capitalista que não dá oportunidade igual para todos. Diariamente, em todo o mundo, homens, mulheres e crianças passam por privações  e  de acordo com a ONU, podemos observar que o difícil acesso a alimentação (devido a sua alta nos preços) levou 44 milhões de pessoas à pobreza.
Será que a moda está tentando amenizar o sofrimento causado pela pobreza? Ou será que o Homeless Chic é apenas uma excentricidade do consumismo? Provavelmente nenhum mendigo terá acesso a essas roupas estampadas em revistas, apesar de usarem as suas vidas como inspiração. 
Esse é mais um tema que a nossa sociedade deve refletir. Devemos abrir um debate social e político a respeito da exclusão social que priva milhões de pessoas em todo o mundo de terem uma vida mais digna. 

Fonte:

18 de março de 2011

Meena Contra a Exclusão Social


Nos anos 90 foi exibido na TV brasileira um desenho animado diferente dos desenhos que nós vemos passar na televisão nos dias de hoje. Feito com a iniciativa da UNICEF e com o apoio e orientação de Hanna-Barbera, Meena, ficou conhecido por mostrar o dia-a-dia de uma menina de um país típico do Sul Asiático.
O projeto surgiu da necessidade de confrontar a extrema discriminação contra as meninas dessa região da Ásia. O objetivo da iniciativa Meena era criar uma personagem feminina que representa-se as meninas em Bangladesh, Índia, Paquistão e Nepal, lidando com problemas sérios na região, como a educação exclusiva para homens, o casamento precoce no qual as meninas eram submetidas, o privilégio dos homens sobre a alimentação e carga de trabalho inadequada para crianças.
A criação de Meena, teve como principal objetivo conscientizar as pessoas de países que ainda possuem uma cultura discriminatória contra crianças e mulheres para proporcionar uma melhor qualidade de vida a essa parte da população que sofre constantemente com a exclusão social. Elas reconhecem nesse desenho as suas próprias experiências  encontrando suas próprias vozes para quebrar esses preconceitos.
Fonte Unicef: Grupo de meninas lendo uma publicação de Meena em uma escola em Laos
Fonte Unicef: Encenação de Meena para a população local
Após a criação desse desenho animado, surgiram outras iniciativas como o programa de rádio Meena em uma região da Índia, transmitido por rádios locais para as crianças durante as tardes, levando várias mensagens importares  relacionadas à cidadania.A utilização de desse material, com a personagem Meena, já promoveu importantes mudanças , como a redução da taxa de abandono escolar o aumentando do desempenho com a leitura e a escrita.
Através desse exemplo, podemos constatar a grande importância que a mídia possui como veículo de divulgação de informações levando de forma acessível a conscientização quanto aos problemas sociais que até então eram desconhecidos.

Para recordar...
Eu adorava esse desenho e para quem tiver curiosidade, Meena também está disponível em quadrinhos pelo site http://www.unicef.org/rosa/media_2512.htm

Abertura original do desenho Meena.

    

                                                                

14 de março de 2011

Dia Mundial do Consumidor


"Se toda a população do mundo tivesse os hábitos de consumo dos americanos, seriam necessários 5 planetas para manter seu estilo de vida e os recursos naturais provavelmente se esgotariam em menos de 20 anos."

Diferente das outras datas que ganharam um caráter mais comemorativo, o dia 15 de março, dia mundial do consumidor, não é voltado para presentear aos outros e a si mesmo (apesar do nome ser bem sugestivo), mas sim, para refletir sobre os nosso direitos como consumidores, assim como os nossos deveres. Devemos  pensar no impacto do consumismo desenfreado sobre o planeta e sobre a importância do consumo consciente, pois, os nossos recursos  naturais são escassos e ainda somos muito dependentes deles. 
Algumas inovações promovidas pelo desenvolvimento tecnológico reduziram a demanda de alguns recursos naturais, mas ainda não é o suficiente. A cada dia a produção industrial  fica mais dependente do petróleo. A água, a madeira e as outras matérias-primas fornecidas pela natureza ainda continuam sendo exploradas em larga escala pelo mercado.
Como consumidores conscientes devemos refletir sobre a exploração da fauna e da flora para a produção de bens supérfluos, como as peles de animais usadas na industrial da moda, assim como o uso de produtos que degradam o meio ambiente, como sacolas plásticas, agrotóxicos e outros químicos.
Vivemos num planeta onde os recursos são limitados. É nossa responsabilidade preservá-lo para as futuras gerações.


 

12 de março de 2011

E na Terra do Sol Nascente...

O mundo está acompanhando várias catástofres ambientais nos últimos tempos. Durante um período tão curto, nunca se viu tantos terremotos, enchentes e até mesmo tsunamis, algo que até então só era visto em filmes. Hoje podemos acompanhar pelos meios de comunicação as consequências de alguns desses fenômenos naturais no país que é considerado uma das maiores e mais promissoras potências, a terra do sol nascente, o Japão. Casas, carros e principalmente vidas destruídas com essa trágedia. E não acabou por ai, o caos está instalado, grande parte da infraestrutura básicas das cidades atingidas está comprometidas. E o pior de tudo, o país que durante anos investiu e foi reconhecido pelo desenvolvimento de tecnologia de ponta, poderá enfrentar uma perigosa tragédia, uma contaminação nuclear.
Durante anos as iniciativas de ativitas ambientais, de ecologistas e de instituições voltadas para a proteção do meio ambiente foram perseguidas e marginalizadas por defenderem um meio sobrevivência menos poluente e agressor do meio ambiente.
O que vemos agora? Uma potência preste a passar por mais um capítulo de um drama nuclear. Não sabemos a suas dimensões. O que gostaríamos de saber é por que os países insistem em produzir energia suja se o nosso planeta é tão frágil e finito? Países sem a menor estrutura correm como desesperados atrás do conhecimento nuclear para ser utilizado de forma inapropriada. Índia, Irã, Paquistão... Falando nisso, alguém já parou pra pensar cadê as usinas Angra I, II e III? Alguém sabe qual o destino do lixo atômico? Porque isso não é do nosso conhecimento? Nós não sabemos ao certo as consequências desses desastres no Japão e no mundo, mas somos em parte responsável por isso, por que nos calamos quando vemos alguém desmatando, poluindo, e porque consentimos quando o governo despreza a questão ambiental. Espero que agora as pessoas estejam mais atentas e mais sensibilizadas às questões global, por que elas também são nossa responsabilidade e fruto das nossas ações . Como disse um amigo: "Os japoneses não podem reclamar do Godzilla". No Brasil, todos os dias, os nossos rios são poluídos por resíduos químicos, por lixo doméstico e industrial, todo inverno os bairros das grandes cidades ficam completamente debaixo d'agua devido a nossa educação que entope os bueiros, milhares de árvores e animais silvestres são mortos, e enquanto isso, nos mantemos em uma distância confortável, longe dessa preocupação, afinal, não é somente culpa nossa! Ainda vivemos sobre uma consciência de que os recursos naturais não devem ser prioridade nas discussões políticas. Resultado disso: Protocolo de Kyoto. A nossa memória é seletiva, ou será que alguém ainda se lembra do acidente ambiental no Golfo do México (não faz muito tempo). Espero que calendário maia esteja errado... 

Pra quem acha que esse símbolo é coisa do...  

Símbolo criado por Gerald Holton, utilizado como protesto contra armas nucleares.Usa as letras N (nuclear)   e D (disarmament) do alfabeto de sinalização de bandeiras. Apesar de existirem controvérsias a respeito da origem do símbolo.
                                                   

Mafalda para relaxar...



Para anarquistas...

Para economistas...

Para revolucionários...

21 de janeiro de 2011

O voto como instrumento de reconstrução


Algumas pessoas me questionam por que eu não escrevo algo relacionado ao Brasil e em especial ao Ceará. Eu sempre concordo me dispondo em escrever algum post relacionado a esses assuntos. Mas como esse blog se propõem a falar sobre problemas social e ambientais, resolvi escrever sobre um movimento, que deverá ter como protagonista as camadas populares de um dos países mais fragilizado na atualidade, as eleições no Haiti.


Funcionário começa a contar votos em Porto Príncipe, capital do Haiti, na noite desta segunda-feira.


País mais pobre do hemisfério ocidental, o Haiti possue 80% da sua população vivendo na pobreza, com menos de US$ 2 por dia.  Apresenta ainda grades problemas na sua infra-estrutura básica e uma insuficiente rede de assistência social que marginaliza a sua população, além de um precário sistema de saúde, o que possibilita a rápida proliferação de epidemias como a cólera, que de acordo com Ministério da Saúde Pública e População, dizimou mais de 3.000 haitianos nos últimos dias. Esses problemas não foram apenas criados pelo terremoto que assolou o país em 2010, mas por problemas políticos e sociais que o país vem enfrentando a vários anos.

O primeiro turno das eleições no Haiti foi marcado por uma série de conflitos depois da divulgação dos resultados, levantando dúvidas sobre uma possível fraude na contagem dos votos que deram o primeiro lugar à ex-primeira-dama Mirlande Manigat, com 31,37% dos votos e o segundo ao candidato governista Jude Celestin, com 22,48%, o que suscitou uma onda de violentos protestos nas quais houve quatro mortos e vários feridos.


Cartazes de campanha política no Afeganistão Foto: Ahmad Masood/ REUTERS


Esses eventos lembram as eleições que ocorreram no Afeganistão em 2010, que assim como Haiti, possui grande parte da população vivendo em condições inapropridas e que durante a votação também sofreu diversos conflitos por meio de desordem civil e atentados com explosões em zonas eleitorais, que ocasionaram mortes de várias pessoas em todo o país .


Em qualquer lugar que seja, o voto deve ser usado como um instrumento do povo para melhorar a sua condição de vida e a do seu país, e em países que enfrentam uma grande situação de crise fianceira e desordem social como o Haiti e o Afeganistão, a importância do voto torna-se mais forte, pois ele não será apenas um meio de melhorar a vida da população mas  também de reconstrução  de toda a sua sociedade .


28 de dezembro de 2010

Cemitério de Gigantes

Bangladesh é um país localizado no continente asiático, situado nas proximidades do delta dos rios Ganges e Branhmaputra. Com o seu território coberto de paisagens naturais, possue uma terra de enorme beleza, com centenas de rios, lagos de águas claras rodeadas por colinas verdes, exuberantes florestas tropicais, belos jardins, campos de arroz e  belas praias.


Porém uma imagem contrasta com tanta beleza, uma praia deserta e poluída na da cidade de Chittantong, baía de Bengala. Navios estão atracados aqui como em qualquer porto, mas eles nunca irão sair. Em vez disso, eles serão desmanchados, parafuso por parafuso, rebite por rebite, e terá cada pedaço de metal, que podem pesar até uma tonela, transportado pelo braço humano e derretido no forno para ser moldado em barras de aço. Grande parte do aço reciclado dos navios é destinado para a costrução civil.

                    

 Photo Gallery: 2010 National Geographic Photography Contest Wallpaper


Esses navios são praticamente dissecados pelas mãos de homens e mulheres que trabalham arduamente nessas praias em condições insalubres.O maçarico é a tecnologia mais empregada para o desmanche desses imensos navios que muitas as vezes são cargueiros e cruzeiros das mais diversas origens.


Durante esse desmanche são despejadas na praia uma imensa quantidade de produtos tóxicos que colocam em risco a vida dos trabalhadores e o meio ambiente. Hoje, esse lugar que funciona como um cemitério de navios é coberto por uma lama formada por óleos e metais diversos como o chumbo, transformando a vegetação nativa que aos poucos foi desaparecendo.


                   Foto: Edward Burtynsky- bangladesh ship deconstruction
Desmanchar navios é o meio de vida de milhares pessoas desse país que registra altos índices de pobreza. Os salários são baixos não chegando a atingir 5 dólares por dia e as horas de trabalho muitas vezes se estende até a noite, onde os trabalhadores se misturam junto as chamas e a fumaça.

 
www.cbsnews.com/stories/2006/11/03/60minutes/main2149023.shtml